sábado, 17 de outubro de 2009

Sem jeito e sem graça.


Se tem uma coisa que me deixa sem jeito e sem graça é a morte.
Não sei se pelo fato de não saber lidar com ela, ou meu minha maneira de lidar com ela é assim, sem jeito e sem graça.

Negós é o seguinte: uma moça nova, mais nova que eu, que eu conheço há mileum anos (mas não sou e nunca fui íntima) morreu ontem de acidente de carro. Tava na UTI há quase 1 semana, mas não deu. Via várias vezes quando passava aqui pelo bairro; família vizinha lá da casa da minha mãe, conheço a família toda e coisa e talis.

Quando na segunda passada fiquei sabendo do acidente e que ela tava mal, chocou, mas sempre há uma esperança; a gente pensa "ah, mas tanta gente sai bem da UTI; vai dar tudo certo"; e fica naquela torcida muda e ansiosa.

Mas veio a notícia que ninguém queria. Amigo do meu filho disse pra ele, que disse pra mim.

Logo pensei na mãe da menina, que também é mãe de dois moços. Como deve ser doído isso, meu Deus... E aí surge "o" incômodo. Sabe quando você fica sabendo de uma coisa chata, e essa te assalta a alma do nada, e você sente um coiso no estômago? Pois é.

Eu sou uma pessoa que preza muito pelo equilíbrio emocional, porque minha natureza é instável demais, e tem um monte de gente que depende de mim; não posso me dar ao luxo de despencar por aí. E esse tipo de coisa desestabiliza qualquer um, né?

Então já fui fazendo exercícios mentais pra minimizar o fato na minha cabeça doente; que melhor assim do que ter uma vida ruim depois (se ela sobrevivesse ia ter sequelas bem chatas), que como ela era cristã já tava num lugar melhor, que seria um descanso pra ela etc e talis, coisas do tipo. E fui fazendo minhas coisas, mas com isso na cabeça; o fato, a morte.

E pensava na mãe, no pai, nos irmãos, no noivo (é, ela era noiva...), nos amigos; nesse povo todo sofrendo o cão. E sentia "o" incômodo.

E pensava naquilo tudo de novo; enfim, nesse looping infinito, horas a fio. Daí uma hora sei lá o que eu pensei; tipos "ah, acabou, fato consumado" e pareceu-me que o looping tinha parado na mente.

Quando, do nada, o fato, a morte veio ao pensamento de novo, e "o" incômodo voltou.

É assim com você também?

Nunca alguém bem próximo de mim morreu. Só fui a enterro duas vezes na vida: do filho de uma amiga e de um colega de classe. Não gosto, evito ao máximo, me faz mal. Egoísta né?

Não sei como me portar, não sei o que dizer, não sei o que fazer. Sem jeito e sem graça. E com "o" incômodo.

E várias coisas vem à cabeça; "mas porque tão nova?", "Deus sabe todas as coisas mesmo? E se sabe, por que isso?", "existe a hora de todo mundo?" e essa é clássica, porque se aquele nenê do carrinho que caiu na linha de trem não morreu né?

E mais umas coisas eu penso, mas tá difícil de concentrar porque o Daniel não para de falar, o Artur não para de brigar com o Daniel e o Bruno tá chorando. E eu me pego amando tudo isso.

6 comentários:

Déia. disse...

Oi amiga... eu sinto a mesma coisa. Fico numa agonia dentro de mim, mas ao mesmo tempo nao quero "enfrentar" sabe. Não sei se é egoísmo mas acho que no meu caso se algo deste tipo estivesse me acontecendo gostaria de ficar só. Sofrendo com a minha dor sem ter que falar ou cumprimentar ninguem. Cada um age de uma maneira né? Taçvez você tambem seja assim e isso a deixe tao incomodada e sem saber como agir nessas horas.
Eu me pego pensando muito nisso tambem sabe. A morte, os acidentes, as balas perdidas. Ainda mais agora que tenho meu pequeno essas coisas me incomodam e me fazem tão mal.
Beijos e fique em paz.

Jussara Moumont disse...

"Eu sou uma pessoa que preza muito pelo equilíbrio emocional, porque minha natureza é instável demais, e tem um monte de gente que depende de mim"
Foi vc ou fui eu quem escreveu isso? Estranhamente parecidas... bjs e parabéns por, mesmo contra todas as diviculdades, que sabemos quais são, voltar a postar. Meu blog não me vê a tempos. Vou tentar postar. bj again

Bia, Desperate Housewife disse...

Déia, brigada viu???Bjo

Jussara, hahahahaha; temos uma vida meio parecida, não é mesmo? Muda o tom de rosa pra azul!!! Vai nêga, posta lá! Bjo

Li Lasso disse...

Eu já perdi pessoas bem próximas. A mais recente foi a minha avó, ano passado...
Tenho um jeito estranho de lidar com a morte. E todos me julgam por isso. Não faço escândalos, dificilmente choro em público. No caso da minha avó, como eu que cuidei da parte burocrática, a ficha só caiu 1 semana depois.
Enquanto todos choravam, eu decidia se caixão, retirava corpo do IML, escolhia músicas para cerimônia de cremação. Nem tive tempo de pensar. E se pensasse, não teria arrumado as flores sobre o caixão... eu não gosto desses 'contatos' com defuntos!
Mas não parecia que era ela, eu não sentia isso. Eu estava pilhada, querendo evitar que minha mãe e irmã (terrivelmente abaladas) tivessem que cuidar dessas coisas chatas.
No final, saí como 'insensível'. Mas ninguém sabe o quanto sofri depois... e a saudade que essa velhinha deixou!

Patrícia Angélica disse...

Me sinto da mesma forma. Só que me coloco no lugar da família e choro o tempo todo. Hoje ao chegar no trabalho, fiquei sabendo que o marido de uma amiga foi uma das vítimas deste fim de semana de terror aqui no Rio de Janeiro. Não consigo parar de pensar, não consigo parar de chorar e nem consegui ligar para ela para dar apoio. Me sinto uma fraca!
Não me conformo com a morte!

Um beijo

Ana disse...

É complicado, mesmo.
Dizer o quê, num momento assim ?

Infelizmente já perdi alguém que eu amava (amo) muito e amigos por perto são uma éspécie de bóia salva-vidas, de âncora, sei lá...