terça-feira, 23 de novembro de 2010

O dia em que bolsinha deu à luz um porta-níquel.

*Daí que dia desses, tuitando cas mina firmeza sobre cuidados de beleza (e peruíces também) pra hora do parto, dona @bolsinhaprada (Natalia-mãe-de-delícia) me disse que ia me mandar zémeio com relato de parto dela; porque também se entra na partolândia na cesárea.

Lendo o zémeio, como eu posso dizer que não se vai à partolândia dessa forma também?

*Dedico pras gestantes que leem meu blog e me seguem no twitter, mozamores; em especial pra @elisalemme*


"cachinhos de mi bida,

lá vamos nós contar pra @elisaleme que a partolândia existe também na cesárea. e rezar pra Nossa Senhora do Bom Parto. e todo mundo fica sabendo como uma bolsa dá à luz um porta-níquel.

a bolsa barriguda foi fazer o último ultrassom, né? e daí que veio no resultado que o líquido da minha (enorme) bolsa estava no nível mínimo. como eu não tive intercorrências (palavrinha linda, sô), não esquentei. se tá dentro, tá dentro. tamanho do porta-níquel: mais de 3kg. why am I not surprised. (a bolsa mede 1,70. o cinto armani, pai do porta-níquel, 1,90. qué dizê.) e ah, criança resolveu que esse negócio de ficar de cabeça pra baixo é coisa de yogi, e não virou. sentada estava, sentada ficou. era cesárea sem chance de recurso.

levei pro Dotô, que olhou, virou, olhou de novo e disse: ó, é dia 01/06. desce e marca com a minha secretária. entrega essa papelada. e a partir de semana que vem, você bate ponto semanal aqui pra acompanhar. ouquei, Dotô.

desci, entreguei a papelada, a moça ligou e fez igual na manicure: oi, queria marcar um parto... dia tal... tal hora... pro Dotô. e eu ali, em cólicas. desligou e disse: pronto, marquei seu parto, boa sorte!

voltei meio desgovernada pra casa, liguei pro meu pai no caminho e avisei. Dotô marcou meu parto pra de noite, pra não ter aquela entourage (oi, @cynthiabourleg) gigante azucrinando. valeu, Dotô. amei. também avisei os padrinhos do porta-níquel, porque o padrinho é cirurgião plástico e tava combinado de ele fechar minha barriga (cara, nunca fui tão exclusiva na minha vida).

a partolândia eu acho que começa na véspera. a véspera era domingo, e eu acordei, olhei pro marido e disse: eu quero passear, não posso ficar em casa hoje. atente para o detalhe: eu mal conseguia ANDAR de tão grande. e mesmo sendo um frio do cão, eu passava o dia de alcinha. ok. fui tartarugar na Etna, e na TokStok. tartarugar mesmo, 1m por minuto. olhei, arrastei, olhei, comprei uma almofada de porquinho, arrastei, aquela coisa.

dormi o tanto que sempre dormia: pouco porque tem que acordar pra ir ao banheiro. e bem pouca gente sabia que dia seria o dia seguinte. a santa Maloca, avó honorária do porta-níquel, ligou pra fazer perguntas de mãe, que é coisa que eu não tenho. amei cada milisegundo, e ela quis saber se eu depilei. eu VIVO depilada. nóias.

acordei, tomei café, tudo normal até 12h, que foi a hora em que começou o jejum. 16h entramos no carro pra ir pro hospital, e às 17h eu já não podia tomar nem água. só nós 3: eu, marido e barriga. mais ninguém.

a primeira enfermeira passou: oi, tudo bem, toma banho de novo se quiser, coloca camisola, deixa ver se depilou, depilou mas vou te passar gilette de novo (ai). fiz tudo, ela voltou e me passou gilette, só pra me machucar, mas oraite. eu já não estava mais lá. os padrinhos chegaram, dotô-padrinho foi se paramentar, mas eu também não estava mais lá, mesmo tendo saído na última foto. esmalte transparente, maquiagem nenhuma. não autorizei filmagem, porque parto e glamour são mutuamente exclusivos. o padrinho ia fotografar alguma coisa e só.

hora de descer, vem outra enfermeira: oi, tudo bem? como você está? o que está sentindo? eu: tou com fome. ela contou que é comum a pobre da parturiente estar no quarto, em jejum, e a entourage do inferno pedir pizza e habibs, que ela por óbvio não pode comer, mas tem que sentir o cheiro empesteando o hospital. lembro de entrar no elevador, mas eu não estava mais lá.

cheguei nalgum lugar labiríntico, tartaruguei até a mesa onde fazem o log da cirurgia. dei nome, endereço, telefone, mesmo não estando mais lá, e fui pruma salinha onde passava alguma novela da globo que eu não registrei, e onde estava outra parturiente também esperando. conversei, não sei o quê, vocês já sabem... a moça foi, e eu fiquei, andando em círculos mui-to-de-va-gar. era pra ter sido às 20h, mas eram quase 21h quando me chamaram.

na sala, o dotô-padrinho contava efusivamente que a moça magrinha e branquinha que ia me anestesiar (oi, dotôra com nome de alemoa!) tinha sido residente dele, e por coincidência bla bla bla. beijei a dotôra, deitei na maca, começaram a montar o campo. INFORMAÇÃO IMPORTANTE SOBRE O CAMPO: o campo cirúrgico, a fronteira da sanidade. seu marido só pode ficar do campo pra cá. do campo pra lá é para os médicos e os muito fortes. muito marido não sobrevive ao lado de lá do campo. o meu foi proibido de ir lá: ficaria atrás da minha cabeça, onde só veria a mim.

voltemos. a boba aqui já tinha tomado uma raqui antes, mas sob o efeito de dormonid. então, né? achei que era tranks, e que eu sou macha... o troço incomoda. horrores. e demora. mas vamo que vamo, porque naquele momento, eu era uma com a minha barriga. no finalzim, o celular da assistente do dotô tocou: viva la vida, do coldplay. música que eu cantava em looping. a partolândia já tinha se instalado, e não passava nada na minha cabeça, mas eu chorei. muito.

testaram a anestesia e começaram a abrir a janela. na barriga, claro. marido entrou correndo, sentou do meu lado, e eu vi uma aguinha passar pelo tubo que passava por cima do campo. e eu chorava o viva la vida ainda, e a dotôra branquinha disse: ó, seu nenem já nasceu!

voltei em tempo de ouvir minha filha chorar. um grito só, que nessa família não tem mulher mole. o marido disse que ela era linda, e trouxeram pra eu ver, aquele nenem de 3,525kg, branquinha, de olhão aberto, loura, cabeluda (!!!) e sujinha. ela me olhou e eu disse: oi, meu amor... nooossa, que unha comprida, dá pra passar um vermelho! sala cirúrgica veio abaixo. eu não presto. e ela caladinha, me olhando.

levaram a pequena, marido saiu e começaram a me fechar. dotô-padrinho me fechou com dermabond, o que significa que não tinha ponto pra tirar. recomendo cada milisegundo. a última enfermeira perguntou se eu tinha perdido líquido na gravidez, eu disse que não. ela levantou o vidrão e me mostrou que aquela aguinha que passou pelo tubo era TODO o líquido que eu tinha. 1 dedo. fui pra recuperação.

outras mães estavam lá, algumas conversaram comigo, mas eu ainda não estava lá. eu só queria mexer logo as pernas pra subir pro quarto, o que eu consegui, mas aí veio a coceira. eles dão morfina pra gente. rá.

fui pro quarto, finalmente, todo mundo me esperando. parabéns, choro, beijo, abraço, tou com fome! marido sacou uns biscoitos doces, e eu não tive dúvidas. quando a enfermeira entrou no quarto pra ver se eu tava viva, eu estava sentada na cama, comendo biscoito recheado. ela disse: bom, se você tá comendo eu não preciso perguntar se está bem... vou mandar servir seu jantar! veio, e eu comi. tudo.

depois de umas horas, me trouxeram o porta-níquel cor-de-rosa, deixaram comigo, e a enfermeira saiu pra buscar não sei o quê. nessa hora só tinha eu e o marido no quarto. ele pergunta: e agora? eu disse: vamos ver se mama? ela pegou o peito furiosa e mamou. nós três naquele quarto, 3 da madrugada.

muito provavelmente do mesmo jeito que o Cristo, há milênios atrás, uma familhinha de 3 pessoas sozinhas, em silêncio no meio da noite.

minha vida deu play aí. e a primeira pessoa a ver o porta-níquel no dia seguinte foi @falazevedo. o que pra mim, só pode ser sinal de sorte.

te amo"


Nat, SUA LINDA, eu que tinhamú! Brigada por dividir comigo esse momento tão delícia da sua vida. *.*

*relato do meu último parto tá aqui.

7 comentários:

Camille disse...

Chorei e lembrei dos meus partos!! Que delícia de momento! Que delícia de lembranças!!!

bolsinhaprada disse...

e num foi, moças bonitas? nenem, né? hoje tá aí, roubando meus cremes, 1 ano e meio de idade, aquela coisa. diz meu pai que qualquer dia chega em casa avisando que volta só depois das 22h...

Bianca disse...

Lembrei do parto da Laura, mas a cesárea dela foi emergência, fui para o hospital de mãos abanando e saí de lá com um bebê! Mas é sempre lindo!!!!

Sealvia disse...

Ah, que lindas vocês, me fazendo chorar em pleno expediente de mãe! :***

Patrícia Angélica Gonçalves Pereira disse...

Que lindo!!! Parto sempre emociona né? Lembrei do meu parto e deu até saudade... Acho que quero outro. Rss
Bjs

Ana Carla Benet disse...

Ai Jesus, me lembrei do meu parto cesáreo ... mas de emergência. Aff ... chega tô suando.

Bjo

Anne disse...

e esse final matador??? LINDOOOO!!! Eu nunca tinha pensado nisso, de Jesus e tal.. enfim!
adorei o relato!! adorei a nova percepção da partolândia!
a minha foi beeeem tensa, quase vi a morte hahaha!
beijossss